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SUMÁRIO
1-Introdução. 2-Alguns mitos sobre hipnose. 3-Alguns conceitos sobre hipnose. 4-Uma breve biografia de Franz Anton Mesmer. 5-Uma breve biografia de Milton H. Erickson e o seu método. 6-A ficha clínica, a sua importância na prática do consultório. 6.1-Ficha de anamnese. 6.2- A importância da anamnese. 6.3- A utilização da hipnose clínica pode ser aplicada nos seguintes grupos. 6.4-Técnicas Psicoterapêuticas sob hipnose. 7-Por que Freud abandonou a hipnose? 8-a importância do “rapport” para a hipnose? 9-os outros fenômenos hipnóticos. 10-O que é terapia mente-corpo? 10.1-Por quê o corpo sofre? 10.2-Qual a ação neurofisiológica da hipnose em um estressado? 11-O que é treinamento autógeno? 11.1-Conceito segundo J. H. Schultz. 11.2-O curso normal do processo de Treinamento Autógeno. 11.3-A respiração. 11.4- Exercícios práticos -Técnicas do Relaxamento progressivo de Shultz. 12-Viés e fragmentos da hipnose nas obras de Freud. 13-Bibliografia.
1-INTRODUÇÃO. Nos achados da Antigüidade, existem textos, com mais de 4.500 a.C., nos relatando como os sacerdotes da Mesopotâmia, usavam o Transe - "um estado diferenciado da consciência usual" - para realizar diagnóstico objetivando curas. Os Antigos egípcios a 2000 a.C., já utilizavam empiricamente encantamentos, amuletos, imposição de mãos, sem se darem conta da imaginação e sugestão envolvidas nesses procedimentos. Historicamente, os primeiros registros de práticas hipnóticas, remontam a 2400 a.C., na Índia e na Caldéia. Podemos identificá-las, também, na Pérsia, Babilônia, Assíria, Suméria, Egito, Grécia, Roma, nos antigos Hebreus, nos Deltas. Nesses povos, magia, religião e medicina se confundiam. O termo hipnos-gnose derivado do grego (hypnos = sono), foi cunhado (1784-1860) pelo médico James Braid, que escreveu o livro Neurohipnologia, e tem a ver com o estudo dos fenômenos do sono. O nome escolhido advém de Hypnos - deus grego do sono - e foi escolhido devido a semelhança do estado de transe com o estado de sonolência. Vemos assim, que desde seu surgimento, a hipnose sempre esteve vinculada à busca da cura e é neste sentido que a ciência médica atual pesquisa não só a extensão que se pode obter, com o seu emprego, e também as respostas de como e porque o cérebro processa o estado hipnótico. Com uma grande variedade de nomes, a hipnose é utilizada por milênios como uma forma de atuar no comportamento humano. Jean Martin Charcot (1825-1893) notabilizou-se pelas curas hipnóticas da histeria. O que levou ao início do estudo científico da hipnose. Em 1885, Josef Breuer publicou, juntamente com Freud, o famoso caso Anna O. como "Estudo sobre a histeria". A partir daí, Freud iniciou a prática da hipnose. O interesse pela hipnose teve seu recrudescimento durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial como forma de tratamento das neuroses traumáticas de guerra. A hipnose tem recebido dentro da terapêutica uma série de nomes. Chegou-se até a criar-se uma ciência: hipnologia. Hoje se define hipnose, ou transe hipnótico, como um estado modificado da consciência, mais próximo da vigília do que do sono, caracterizado pela dominância das freqüências alfa e teta no eletroencefalograma. Atualmente, com outros nomes, há uma profusão de técnicas que, na realidade, são hipnose: PNL, Controle Mental, Parto Sem Dor, Regressão de Idade, Regressão a Vidas Passadas, Regressão de Memória, Hipnose Light. A hipnose é um estado de passividade cerebral, no qual há inibição da consciência periférica. Distingue-se do sono fisiológico, visto que a hipnose não ativa o sistema hipnogênico do tronco cerebral. Estudos realizados em sujeitos hipnotizados acusam EEG semelhante ao da vigília relaxada. Os reflexos neurológicos encontrados no sono fisiológico não são encontrados no sujeito hipnotizado. No estado hipnótico, contudo, são encontrados: dissociação, sugestionabilidade e hipermnésia, facilitando o acesso à vida interior do indivíduo (subjetividade). Esse estado, que é passageiro, ocorre, diariamente, em algum grau de profundidade, em todos os cérebros normais. Durante o transe hipnótico, a mente está por um tempo dissociado, porém com a atenção e a concentração hiperfocalizadas num ponto. Nesse momento, a fisiologia das funções corporais se modifica, e sabe-se que durante o transe modificam-se também a memória, a aprendizagem, o comportamento e o humor, o que favorece o auto conhecimento, a compreensão e a mudança emocional. Outra forma de hipnose, normalmente observada em alguns cultos afros, exorcismo, movimentos de massas, seitas e religiões de forte apelação emocional é obtida através da excitação supramaximal, por estímulo sensorial ou forte emoção. Nesse estado, onde há predominância do sistema simpático, há descargas vegetativas violentas que, entretanto, funcionam como auto-regulação. São freqüentemente observados nessa forma de hipnose, fenômenos tais como amnésia, anestesia, catalepsia, alucinações, etc. Os fenômenos mais conhecidos são representados, inicialmente, por bradicardia e bradipnéia, vasodilatação periférica, relaxamento muscular, ou rigidez muscular, imobilidade ou agitação psicomotora temporárias, analgesia e anestesia superficial, amnésia parcial temporária, hipermnésia focal, distorção do tempo, regressão na idade, pseudo-orientação do tempo no futuro, progressão na idade, alucinações positivas e/ou negativas, escrita automática, anestesia profunda, amnésia profunda e sugestão pós-hipnótica, além de outros fenômenos, alguns deles semelhantes ao sonho. A hipnose é dividida didaticamente, em hipnose direta ou convencional e hipnose indireta, natural ou Ericksoniana. A hipnose direta compreende as técnicas diretas como o relaxamento progressivo de Schutz, a do pestanejamento sincronizado comandado, etc. E se caracteriza pelo estímulo dinâmico e o transe estático ocorre pela fadiga dos centros sensoriais. A fenomenologia hipnótica expressa pelo paciente é especialmente útil para o hipnoterapeuta, que aproveita esse rico momento de mudança interior para realizar a ressignificação de crenças e comportamentos, tratando problemas físicos e ou emocionais emergentes através da hipnoanálise e da hipnoterapia. O método de hipnose criado por Milton H. Erickson consiste em fazer um tipo exclusivo de transe para cada cliente. Mesmo que seguindo uma forma de indução padronizada, fazendo-o ficar ao molde do seu cliente, de acordo com um critério de avaliação de como cada pessoa é, como cria seu sintoma, como é sua resistência, e assim por diante. As técnicas Ericksonianas ou naturalistas, usa-se muitas histórias, metáforas, anedotas, pois consiste em aprender junto ao cliente sobre a melhor forma de induzi-lo ao tanse hipnótico. O transe hipnótico favorece os diálogos mente, corpo, consciência – inconsciente; hemisfério cerebral direito – hemisfério cerebral esquerdo, favorecendo os processos de auto - regulação e autocura. Deve-se ter em mente que a hipnose, não substitui os procedimentos médicos ou terapêuticos. HIPNOSE NÃO É PSICANÁLISE. É absolutamente ilícita, a prática da hipnose como pura experiência, como coisa interessante, como passatempo de desocupados, como meio de vida de curandeiros e charlatães e, sobretudo, como espetáculos ou festivais de palco. Segundo Freud, a hipnose é censurável por ocultar a resistência e por ter assim impedido ao médico o conhecimento do jogo das forças psíquicas. E não elimina a resistência; apenas a evade, com o que fornece tão-somente dados incompletos e resultados passageiros. Parece-me que a prática da hipnose não deveria sair dos limites dos Institutos Universitários de Psicologia/Psicanálise e das clínicas médicas.
2-ALGUNS MITOS SOBRE HIPNOSE. A hipnose é terapia ou psicanálise ? Falso A hipnose é mais uma ferramenta que pode ser utilizada em uma terapia. A psicanálise utiliza o método da livre associação.
Existe hipnose sem permissão? Falso É preciso a concordância do sujeito que vai ser hipnotizado para que o efeito hipnótico aconteça. Não há hipnose sem a anuência do sujeito. Não há perda do livre arbítrio em estado hipnótico. Não há perda de consciência na hipnose. Existe um estado de atenção concentrada. Existe um aprofundamento dos conceitos e valores. Durante a hipnose se perde a lucidez? Falso Caracterizada por um estado de profundo relaxamento onde o paciente mantém a lucidez e se mostra altamente responsivo às sugestões, se pode observar que existe um aumento da capacidade de concentração. Esta concentração pode ser direcionada a execução de determinadas atividades orgânicas internas a nível até mesmo celular. Aumentando e melhorando o trabalho destas células, glândulas, órgãos ou sistemas a favor de uma recuperação mais rápida e mais eficiente. E diminuindo os fatores que intensificariam esta doença. Este mesmo recurso é conseguido a noite ao dormir ou quando a pessoa esta em repouso (convalescente). A atividade orgânica esta diminuída e mais energia fica disponível para a recuperação e reposição de substâncias e estruturas ao corpo, maior concentração no trabalho e na atividade celular. A diferença é que na hipnose este recurso pode ser conduzido. Como definir o estado hipnótico? Dá-se este nome, escreve Jolivet, a uma espécie de sono anormal cuja profundeza é variável, e durante o qual o sujeito se levanta, escreve ou fala, isto é, realiza o seu sonho. Distinguem-se os sonambulismos naturais ou espontâneos, estados patológico que em geral se desenvolve no curso do sono, e os sonambulismos artificiais ou provocados, que é uma forma do estado hipnótico, caracterizado pelo fato de se poder conversar com o sujeito, que, de seu lado, pode apresentar, para um observador inadvertido, a aparência de uma pessoa normal e perfeitamente acordada. Os estados da consciência são: a)Vigília: são ondas cerebrais do tipo beta. b)Estado alterado da consciência: estágio intermediário entre a vigília e o sono. São ondas do tipo alfa. c)Sono: são ondas cerebrais do tipo delta e teta. Fase REM do sono (fase de movimentos oculares rápidos), é o momento onde geralmente ocorrem os sonhos. Fase NREM do sono.
Todas as pessoas são hipnotizáveis? Falso. Somente 10% da população não é hipnotizável, ao contrário do que se acreditava. Pessoas alcoolizadas ou com deficiência mental estão nesse grupo. Crianças de pouca idade são hipnotizadas, mas com maior dificuldade. Existem três estágios de profundidade hipnótica: leve, médio e profundo. O estágio mais profundo só é percebido numa pequena parte da população. Daí a conclusão errada que somente 10% da população era hipnotizável
A hipnose é causada pelo poder do hipnotizador? Falso Esta idéia vem desde os tempos de Mesmer, que vinculou o transe ao poder do magnetismo animal. Porém a hipnose não acontece apenas pelo poder do hipnotizador, mas pela aceitação e interação da pessoa que entra em transe e deseja experimentar aquilo que se pede. A hipnose só acontece quando existe a empatia (interação e confiança) entre o hipnotizado e o hipnotizador.
O hipnotizador controla o desejo do paciente? Falso O sujeito é protegido pelo inconsciente de fazer aquilo que não deseja. Caso ele faça é porque julgou inofensivo, ou por acreditar que aquilo possa ajudar.
A pessoa pode não voltar do transe, ficar presa nele? Falso O máximo que acontece é a pessoa adormecer, que seria o passo seguinte ao transe profundo. Sabe-se que o transe é um estado entre a vigília e o sono. Se você aprofunda, dorme e pode ser acordado.
A hipnose é sono? Falso A hipnose é um estágio anterior. Às vezes, confunde-se o estado da pessoa em transe profundo, pensando que adormeceu. Mas mentalmente a pessoa é capaz de estar concentrada e com certo grau de consciência e responder aos seus comandos, ou seja, a pessoa está relaxada de forma alerta.
Toda hipnose tem regressão? Falso Para haver regressão é necessário um transe médio ou profundo na hipermnésia e nem toda pessoa regride. A regressão não é hipnose. Na regressão as memórias podem ser construídas. O que vale é a realidade psíquica para o trabalho na psicanálise.
Há perigos na hipnose? Verdadeiro. Os riscos existem quando o paciente se presta a participar de shows e demonstrações sem finalidades terapêuticas que normalmente são conduzidas por pessoas que se intitulam hipnotizadores, sem formação profissional adequada, podendo este leigo prejudicar o paciente. É uma técnica que trabalha com o desconhecido, a mente inconsciente do ser humano. Ela pode ser uma ferramenta de trabalho para o psicoterapeuta, entretanto se torna uma arma perigosa se aplicada indevidamente por pessoas não qualificadas ou mal intencionadas.
Uma pessoa hipnotizada revela seus segredos involuntariamente? Falso A pessoa só falará, se assim o desejar, porque pode ocorrer a hipermnésia, a lembrança vívida de um fato esquecido.
3-ALGUNS CONCEITOS SOBRE HIPNOSE. Entre os conceitos já aceitos, está o de um “estado natural de consciência, diferente do estado de vigília”. Segundo o Aurélio, “estado mental semelhante ao sono, provocado artificialmente, e no qual o indivíduo continua capaz de obedecer às sugestões feitas pelo hipnotizador”. Segundo Milton Erickson, “suscetibilidade ampliada para a sugestão, tendo como efeito uma alteração das capacidades sensoriais e motoras para iniciar um comportamento apropriado”. O transe é um estado de sugestibilidade intensificado artificialmente e semelhante mas não igual ao sono, no qual parece ocorrer uma dissociação dos elementos conscientes e inconscientes do psiquismo. A sugestão e a auto-sugestão fazem parte do transe. A sugestão seria uma comunicação associada a uma influência que assim provocaria a absorção da mente consciente, que fica focalizada em algum tipo de absorção sensorial e ideativa. Desta maneira, ocorre à oportunidade da mente inconsciente se manifestar, em diversos níveis, através dos fenômenos hipnóticos. As experiências com a hipnose existem desde a mais remota antigüidade. Na Caldéia, Índia e Egito faziam parte de uma ciência experimental, considerada secreta, à qual só tinham acesso, castas privilegiadas. Com o passar do tempo, os fenômenos psíquicos, que eram considerados sobrenaturais, passaram a ser visto sob a luz da razão, e estudados como poderes exercidos pelo próprio homem. No entanto, hoje em dia, parece que voltamos atrás, e muitos consideram a hipnose como algo mágico, até se surpreendendo pela forma como é realizada ou julgando que não foram "realmente" hipnotizados. Isso porque, atualmente, não é tão comum utilizar-se a hipnose inconsciente, ou seja, a pessoa parece que adormece e não recorda o que aconteceu ao voltar ao seu estado normal. Hoje, a hipnose é realizada com a pessoa totalmente consciente, sabendo tudo que está acontecendo ao seu redor. Na hipnose tradicional, observa-se que existem pessoas hipnotizáveis e outras que não conseguem entrar em transe, por mais que o hipnotizador se esforce. Isto se dá porque as pessoas não gostam de se sentir controladas. Geralmente, elas preferem sentir que não estão sendo forçados a nada ou que tem várias opções a escolher. Muitos psicólogos e psiquiatras, estudaram os métodos de Erickson a fim de tentar descobrir um padrão que pudesse lançar alguma luz as suas curas aparentemente milagrosas. Quando se perguntava a ele sobre sua técnica terapêutica, ele geralmente respondia que não sabia explicar. Apenas se preocupava em observar o cliente e segui-lo, fazendo-o que não se desviasse do caminho. Foi a partir da observação de seu trabalho, que se pôde descobrir muita coisa de seu modo de fazer terapia. A partir dessa observação, John Bandler e Richard Grinder , Gregory Bateson, William H. O'Hanlon, Ernest Rossi e outros, desenvolveram a Programação Neuro Lingüística que é considerada uma entre as diversas tentativas de sistematização dos métodos de Erickson. O termo Hipnose "abrange qualquer procedimento que venha causar, por meio de sugestões, mudanças no estado físico e mental", podendo produzir alterações na percepção, nas sensações, no comportamento, nos sentimentos, nos pensamento e na memória. Uma das críticas que se fez é de que a hipnose aumenta a erotização. No entanto ela aumenta qualquer coisa que seja policiada. A hipnose é um processo que se torna perigoso na medida da contra – transferência, isto é do envolvimento dos conteúdos inconscientes do terapeuta. Neste ponto ela é tão perigosa quanto qualquer processo terapêutico no qual a contra – transferência desempenhe um papel. O aspecto fisiológico mais importante da hipnose é a inibição cortical e o aspecto psicodinâmico mais importante é a regressão, que se dá em todos os sentidos: neurofisiológico (de estruturas mais evoluídas a menos evoluídas), psicodinâmico (de um estado superior de raciocínio a um estágio inferior). No que diz respeito ao aspecto psicanalítico puro pode-se dizer que há diluição do ego, que é formado a partir do id, em contato com a realidade consciente. A regressão é positiva na medida que é interpretada. O que acontece é que a hipnose quebra a resistência que defende o indivíduo da regressão! O indivíduo resiste à hipnose por que tem medo de regredir! Esse fator é de extrema importância. A diluição do ego se processa em qualquer processo terapêutico, mas na hipnose é mais rápido, inclusive no sentido neurofisiológico de esquema corporal (vide as sensações sinestésicas quando o corpo não é sentido).Assim, a resistência à hipnose é grande, por parte do paciente. O ego está intimamente relacionado ao esquema corporal. Este conceito não pode ser abandonado. O espírito existe em função do organismo que o suporta, não podemos esquecer disso. Desaparecendo o ego psíquico, desaparece o ego somático. Disto o indivíduo se defende com unhas e dentes. Não se deve esquecer também que a resistência é um fenômeno inconsciente. Caso o paciente fique angustiado durante o processo de relaxamento, percebendo angustia é de bom senso que o operador converse e tranqüilize o cliente. Como há muita resistência do paciente à hipnose, podemos chamá-la de relaxamento...mas, se mesmo assim houver resistência é melhor abandonar o método. Não temos direito de forçar alguém a qualquer coisa. Um perigo muito comum na hipnose é a natureza humana do terapeuta. Uma das falhas é a onipotência, outra é a displicência. Grande parte dos insucessos na hipnose deve-se ao fato do operador desconhecer os processos dinâmicos. A hipnose não é um processo sugestivo mas neurofisiológico, embora seja verdade que a sugestionabilidade aumenta, nem bem a censura diminui.. A passagem da hipnose ao sono é um mecanismo de defesa. A hipnose é uma condição ou estado alterado de consciência, como o sono ou a vigília (estado acordado), caracterizado por um marcante aumento de receptividade à sugestão, de capacidade para modificação de percepção e memória e o potencial para o controle sistemático de uma variedade de funções fisiológicas usualmente involuntárias.
4-UMA BREVE BIOGRAFIA DE FRANZ ANTON MESMER. Mesmer criou a chamada cuba mesmérica, enorme banheira com uma alça de ferro: a pessoa entrava na banheira, Mesmer tocava na alça e a pessoa entrava em hipnose. Os médicos daquela época achavam que Mesmer estava fazendo concorrência desleal. Foi denunciado e organizou-se uma comissão para julgá-lo, da qual Lavoisier fazia parte. Para que haja o processo hipnótico, o fator de maior importância reside no paciente, cabendo ao hipnotizador despertar essas faculdades latentes. A inobservância dessa condição foi uma das causas da condenação de Mesmer, porque os membros do júri não tinham a intenção de serem hipnotizados. Foi condenado por suas práticas e teve que deixar o país. Vamos ver um pouco mais da sua biografia. Mesmer nasceu na Alemanha em 1734 e foi o precursor do “magnetismo animal”, onde buscou na leitura das obras de Paracelso. Todavia, alguns autores afirmam que ela provém da surpresa que causou a Mesmer umas curas milagrosas, operadas por certo nobres estrangeiro, em sua esposa, por meio de um ímã encomendado ao astrônomo Maximiliano Hell, segundo Van Pelt. Mesmer foi o delineador dos princípios básicos do moderno hipnotismo, que alteraram os fundamentos da Medicina ortodoxa, até nossos dias. Franz Anton Mesmer admitindo, como pedra angular, a hipnose de Paracelso, convenceu-se posteriormente, de que o organismo humano pode sofrer a influência magnética de outro indivíduo. Este conceito, que atribuía ao organismo humano qualidades até então insuspeitas, exacerbou as iras dos mais ilustres cânones da Medicina Oficial, criando-lhe o mais duro calvário até hoje sofrido por um médico. Mesmer, contudo, suportou-o com inabalável fé em suas idéias, dentro da mais estrita ética profissional e com edificante dignidade. Seus adversários, que o tachavam de charlatão, toleraram-no enquanto ele acreditava na influência do ímã, suspenso às árvores do seu belo jardim de Landstrasse, ou colocado defronte a espelhos, enfim, sob todas as condições experimentais, inclusive Ana sua célebre cuba de água. Até aí, nada mais fazia do que parodiar e prestigiar o famoso Paracelso. Entretanto o furor dos espíritos conservadores o arrastou ao pelourinho, quando ele passou a desprezar o ímã, afirmando, com insólita coragem, a existência de um princípio novo na terapêutica, isto é, que, das mãos de um operador treinado, partiam fluidos desconhecidos, capazes de curar as mais rebeldes enfermidades. Estava estabelecido o princípio do magnetismo animal. Por outro lado, é mister reconhecer que a nova teoria, não suscitou somente adversários. Além da numerosa clientela, que granjeou em Viena e Munich, e, posteriormente, em Paris, teve seus méritos reconhecidos por autoridades do porte de Van Swieten. O Eleitor da Baviera chamou-o para seu serviço e o Conselheiro da Academia de Augsburgo declarou: “O que Franz Anton Mesmer conseguiu aqui, em várias enfermidades, faz supor que arrebatou à natureza um dos seus mais misteriosos segredos”. A campanha difamatória, porém, prosseguia impiedosa, obrigando-o a retirar-se da Alemanha e buscar refúgio em Paris. Aí montou seu consultório, onde adquiriu rapidamente fama extraordinária, chegando a perceber uma pensão anual do Rei. É possível que, além do acicate de opiniões arcaicas, interesses pessoais e mesquinhos alimentassem o fogo dessa campanha demolidora contra Mesmer. Não faltou, por fim, quem convencesse o rei Luiz XVI de que Mesmer deveria ser submetido a testes, que comprovassem ou desmascarassem a veracidade de suas afirmações. Sob a pressão dos seus detratores, a Academia de Ciências de Paris foi compelida a dar seu “veredicto” sobre o caso. Luiz XVI, que, pessoalmente, fugia a qualquer responsabilidade, apressou-se em nomear uma comissão, composta, aliás, das maiores sumidades da época. Como membros desse memorável júri, figuravam: Lavoisier, o criador da Química Moderna; Benjamin Franklin, o inventor do pára-raios; Bailly, astrônomo de renome; Jussieu, notável botânico e um certo doutor Guillotin, que inventaria mais tarde uma máquina que provocou o estado hipnótico “ad perpetuam” em seus ex-colegas de comissão, os doutores Bailly e Lavoisier e ao próprio Luiz XVI. Jussieu negou-se a assinar o relatório, alegando que algo havia de positivo nas demonstrações mesmérica. Entretanto, vence a maio | |